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Photo AlbumMar 25, '05 11:31 AM
by XXXX for everyone
O fotógrafo Robert Mapplethorpe alvoroçou o mundo com fortes registros fotográficos contra a moralidade e intolerância da sociedade americana, ao retratar desde o começo dos anos 70, a sexualidade dos guetos nova-iorquinos, cenas sadomasoquistas, poses homoeróticas, focos sensuais de segmentos e corpos masculinos e femininos, além de imagens de amigos, anônimos, figuras notórias e notáveis, como a cantora, poeta e ex-mulher Patti Smith, assim como ele próprio em auto-retratos desconcertantes.

Nascido em 1946, Mapplethorpe morreu aos 43 anos, vítima de complicações da Aids em 1989, ano em que sua exposição em Washington foi cancelada por questões moralistas, num alvo direto do senador de extrema direita Jesse Helms. Agora, oito anos após retrospectiva no Museu de Arte Moderna de São Paulo, ele está na galeria paulista Fortes Vilaça, onde outras fotos suas podem ser contempladas, até dia 9 de abril, com entrada gratuita. A curadoria é do artista plástico brasileiro Vik Muniz, também adepto da fotografia e residente em Nova York. Ele integra-se aos curadores de outras exposições de Mapplethorpe, sob o olhar de Catherine Opie em Los Angeles, de Cindy Sherman em Nova York e de David Hockney em Londres.

No Brasil, a visão proposta por Muniz de Mapplethorpe exclui os famosos nus masculinos e as ambíguas imagens de flores, que o tornaram um ícone, pois resumiriam o significado artístico da obra do fotógrafo, embora esses aspectos atraiam público e sejam marcas evidenciais, mas minimizam a grandeza do minucioso olhar e dos ângulos retratados por sua câmera. Vik viu tudo do artista na Fundação Robert Mapplethorpe (www.mapplethorpe.org), que financia iniciativas médicas para a cura da AIDS, e escolheu 54 fotos realizadas de 1975 a 1989, entre portraits de amigos dele e artistas, como a atriz brasileira Sonia Braga num topless, o músico Philip Glass com o teatrólogo Robert Wilson, Iggy Pop e Andy Warhol, até as pouco visadas fotos de interiores e composições simétricas, que remetem à religiosidade de Mapplethorpe, também desprezada por muitos.

Apesar do grau de autopromoção que Mapplethorpe se impôs, Vik Muniz, que acha importante manter a luta dele contra a intolerância à diversidade, quis valorizar a arte dele num contexto menos óbvio, em que o inesperado buscado pelo artista não precisasse dos viés chamativos dos signos sexuais explícitos, mesmo que algumas fotos tenham esse inevitável toque, como um clique de uma garotinha nua e a auto-imagem mórbida em que ele usa uma bengala com caveira na ponta. As poucas cópias disponíveis, custam entre US$ 7.500 a US$ 20 mil (R$ 19,5 mil a R$ 52 mil).

Vik, que conheceu Mapplethorpe no início dos anos 80, também está com um segmento da sua obra em exposição até 24 de abril, em novo espaço do Centro Cultural Banco do Brasil na capital paulista. Muniz, que aos 43 anos é bastante valorizado nos grandes circuitos da arte, e já fez retratos com grãos de açúcar, calda de chocolate e compostos por pequenas fotos, lança um livro em setembro sobre os processos da criatividade artística, sobretudo a dele, mas destaca na mostra "Diamonds Divas and Caviar Monsters" (divas de diamante e monstros de caviar), imagens cercadas de pedras preciosas e ovas de beluga, nobilíssimo peixe iraniano, em 12 trabalhos. Neles, o rico e metódico pontilhismo do artista apresenta Maria Callas, Romy Schneider, Liz Taylor, Mônica Vitti, Sophia Loren, Catherine Deneuve, Brigitte Bardot e Grace Kelly em desenhos contornados por brilhosos diamantes, além dos célebres monstros Frankenstein, Drácula, Múmia e Fantasma da Ópera, finamente arquitetados com caviar. Os moldes clicados valem de US$ 8.000 a US$ 25 mil (R$ 20,8 mil e R$ 65 mil).

A partir de hoje também, pode-se ter uma idéia do impacto que a obra polêmica de Mapplethorpe causou, mesmo após a morte dele, no telefilme americano "Fotos Proibidas" (Dirty Pictures, 2000), em exibição no canal pago MGM. O filme, ganhador do Globo de Ouro de Melhor Minissérie/Filme para TV e indicado para 2 Emmy, traz James Woods como o então diretor do Centro de Artes Contemporâneas de Cincinnati Dennis Barrie, numa luta para dignificar a arte homo e erótica de Mapplethorpe, quando este decide exibir uma mostra exposição do fotógrafo, cujo conteúdo controverso fora rejeitado por outras galerias. Fazem tudo para prender Barrie pelo acinte e no dia da estréia da exposição, sete fotografias são consideradas obscenas, entre as quais a de um homem penetrando seu punho num ânus, outro urinando num parceiro e mais um dedilhando o próprio membro. O preconceito permeia o caso, oprimindo Barrie, que mesmo ameaçado de perder o emprego, o casamento, amigos e clientes, encara tudo pela liberdade de expressão.

De formas diferentes, Mapplethorpe e Vik dão novos ares à contemporaneidade da arte pop.



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